MOMENTOS DE REFLEXÕES
- Iberê Meirelles
- 29 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

A construção do refeitório era um antigo desejo da diretoria de "Alvo da Mocidade". O sonho começou em 1976, quando um espaço usado para secagem de café foi adaptado com paredes e telhado, servindo como refeitório provisório por muitos anos. Em 1995, a diretoria aprovou a limpeza do terreno do novo refeitório, mas, devido a dificuldades financeiras, a iniciativa não avançou. Depois da limpeza, as obras ficaram paradas por dois anos.
Alguns fatos que foram marcantes na construção do refeitório:
Em 1997, durante o acampamento de carnaval, visitei o terreno e imaginei o refeitório pronto, repleto de jovens alegres. No fim do evento, senti-me motivado a retomar o projeto. Logo após, participei de uma conferência em Atlanta, EUA, e vi um projeto de construção que me trouxe ainda mais inspiração.
A palestra daquela conferência foi sobre o sonho de Jacó me levou a refletir sobre os sonhos de Deus para minha vida. Retornei ao Brasil decidido a realizar o sonho do refeitório, passando a orar diariamente por isso, mesmo sem recursos financeiros disponíveis.
Com o tempo, minha vontade só aumentava. Durante uma Conferência Nacional de Alvo da Mocidade fui aconselhado a utilizar nossos próprios recursos para levantar fundos. Nesse mesmo dia, apareceu uma pessoa interessada em comprar um lote na propriedade.
Ainda no mês de abril, a diretoria aprovou a criação de um pequeno loteamento para arrecadar verba para a construção. O primeiro comprador trouxe outros quatro interessados. Assim, com esses recursos chegando, foi iniciado a construção do refeitório. Senti que Deus estava conduzindo cada etapa desse processo de diferentes maneiras.
Quando começamos a construção, em junho de 1997 sabíamos que não teríamos recursos suficientes para terminar todo o refeitório, então eu orava para que Deus provesse os fundos antes da necessidade se tornar urgente. Optamos por fechar um contrato com o construtor dividindo o projeto em quatro etapas: fundação, paredes, telhados e acabamento. Os fundos que possuíamos eram suficientes apenas para as duas primeiras fases.
Continuei orando sem cessar e, em dezembro, recebemos doações que permitiram seguir até concluir as paredes. O tempo passou rapidamente e logo estávamos em abril de 1999. Nessa altura, os recursos tinham acabado, e eu dedicava bastante tempo a entregar o projeto nas mãos de Deus, pedindo orientação sobre parar ou seguir adiante como um passo de fé.
Questionei se minha vontade de continuar era movida por vaidade ou pelo desejo de honrar a Deus. Então, ao ler Filipenses 4:19 – "E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades" – compreendi que devia perseverar no sonho. Parar seria o caminho lógico, mas percebi que Deus manifesta sua sabedoria através de ações que parecem insensatas aos olhos humanos. Assim, continuei acreditando que avançar com a obra glorificaria o Senhor.
No mês de agosto de 1999, estávamos enfrentando muitas contas para pagar. Eu me encontrava ansioso, confiando em Deus e, ao mesmo tempo, sentindo receio. Contudo, mais uma vez, o Senhor interveio: um amigo me escreveu dizendo "Vai, a tua fé te salvou" e informou que estava enviando 3.000.00 dólares para o refeitório. Esse valor era exatamente o necessário para equilibrarmos nossas finanças.
Uma outra fase marcante, foi que o construtor deu a ideia de fazer o telhado com uma estrutura metálica, com os caibros e ripas de madeira, e ele mesmo arrumou uma empresa que cobrou apenas o material na construção da estrutura metálica.
Ao iniciar a fase de acabamento, observamos um aumento significativo nos custos, o que frequentemente resultava em divergências entre as previsões e as despesas reais. Diante desse cenário, considerei cuidadosamente a possibilidade de interromper a construção.
Mas, antes de ligar para o responsável pela construção, de repente, o telefone toca, e um amigo informa que estava doando todas as portas, janelas e vidros do refeitório, sendo que esses vidros são temperados e feitos sob medida, e a medição estava programada para ser realizada pela empresa responsável na próxima semana.
Conversei com o construtor e efetuei a compra de todos os pisos de pedra ardósia. O construtor fez os cálculos com o engenheiro da empresa, e todos os cálculos efetuados foram corretos. Eu entendo que o Espírito Santo atuou no coração daqueles homens dando-lhes sabedoria, para realizar todos aqueles cálculos das janelas, portas, soleiras das janelas e vidraças sem nenhum erro.
Posteriormente, recebemos uma doação destinada a quitar integralmente o valor correspondente à aquisição das pedras ardósias.
Após a conclusão da construção, foi necessário adquirir mesas, cadeiras, toalhas, talheres, geladeiras, máquina de lavar pratos e outros itens. Semanalmente, fui surpreendido com doações: a cada dia, alguém me comunicava que estava contribuindo com algum utensílio para equipar completamente a cozinha do refeitório, incluindo até mesmo a máquina de lavar prato.
O refeitório foi inaugurado em janeiro de 2000. Naquele período, registrei em meu diário que esse momento poderia ser um marco importante para todos nós; durante essa experiência, percebemos e sentimos claramente a presença de Deus suprindo todas as necessidades do refeitório. Por isso, um nome que sintetiza perfeitamente tudo o que vivenciamos é: Elohim-jireh (O Senhor proverá).



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